GPS

Todos nos lembramos dos momentos de tensão latente quando duas pessoas se sentavam no banco da frente, uma ao volante, outra de mapa na mão a dar indicações – quase sempre erradas, na perspectiva de quem conduzia.

Os tempos mudaram e um aparelho chamado GPS veio tornar o mapa de estradas impresso num instrumento obsoleto.

O curioso é que o problema não se resolveu, apenas os papéis se inverteram: agora é quem vai ao lado que reclama o quanto aquela máquina de vozinha doce nos faz tão estúpidos e nos retira por completo o raciocínio lógico (como sair na rotunda que indica Lagos quando queríamos ir para Tavira só porque a vozinha doce sofre de delay).

Mas se não nos fiarmos cegamente na máquina, o GPS pode ser um instrumento extremamente útil, especialmente se necessitarmos de acrescentar uns quilos no nosso corpinho demasiado esbelto.

Há cerca de dois anos, acabadinho de comprar um Garmim com o mapa da Europa, fiz-me à estrada, juntamente com um amigo, com o objectivo de chegar a San Sebastian numa primeira etapa que nos levaria a umas provas de vinhos em Bordéus. O problema é que juntamente com GPS levámos também o guia, “Lo Mejor de la Gastronomia” (de Rafael Moral), considerado o guia bíblia da gastronomia do país vizinho. Resultado: uma viagem que deveria ter demorado 8 horas, demorou quase dois dias. Isto porque, ainda em Lisboa, ao traçar o itinerário, tive o cuidado de carregar o aparelho com moradas de emergência, do tipo: Restaurante La Encina, Palencia (“las mejores tortillas de patatas“);Asados Alonso, Peñafiel (“los mejores lechazos”); Sagartoki, Vitoria-Gasteiz (“Los mejores Pinchos). E assim, felizes, contentes e fartos cumprimos o nosso percurso e preparámos o palato para então nos deliciarmos com a cozinha do País Basco e com os vinhos de Bordéus.

Tendo em conta estas vantagens que importância tem se nos perdemos na próxima rotunda à esquerda só porque em vez de olharmos para a placa de indicação, ficamos a tentar contar o número de saídas indicadas pela menina do GPS?

 

 (P.S. sim, querida, também perdemos algumas horas em busca de Água das Pedras. É que apesar de existir em Espanha, não é assim tão fácil de encontrar como cá).     

 

 

 

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