Por vezes achamos que estamos perante o fim do mundo quando nos deparamos com uma qualquer contrariedade da vida. Só quando estamos perante algo verdadeiramente adverso é que conseguimos discernimento de avaliar que afinal essa contrariedade não passava apenas disso, de um pequeno contratempo. Talvez por isso tenha ficado comovido perante a força de alguém que perdeu um ente querido (logo eu que nunca perdi ninguém muito próximo, muito menos um pai).
Espero que a Rita não me leve a mal por publicar a mensagem que nos transmitiu.
“Olá,
Queria apenas agradecer-vos as flores que enviaram (que eram lindíssimas) e por me terem apoiado e acompanhado no momento difícil que passei.
Espero que não levem a mal, mas envio-vos um poema que uma amiga minha me deu e que ajuda a encarar o sucedido de uma outra maneira. Não sara a dor que se sente nesta altura, mas leva-nos a pensar que quem parte não está assim tão longe…. (guardem-no para algum dia que precisem – que espero não seja em breve).
Os meus agradecimentos são extensíveis a toda a equipa (…).
Beijinhos.
Rita “
“A morte nada é.
Eu estou apenas noutro lado,
Eu sou eu, tu és tu.
Aquilo que éramos um para o outro
Continuamos a ser.
Chama-me como sempre me chamaste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom da tua voz,
Nem faças um ar solene e triste.
Continua a rir daquilo que juntos nos fazia rir.
Brinca, sorri, pensa em mim,
Reza por mim.
Que o meu nome seja pronunciado em casa
Como sempre foi;
Sem qualquer ênfase,
Sem qualquer sombra.
A vida significa o que sempre significou.
Ela é aquilo que sempre foi.
O “fio” não foi cortado.
Porque é que eu, estando longe do teu olhar,
Estaria longe do teu pensamento?
Espero-te, não estou muito longe,
Somente do outro lado do caminho.
Como vês, tudo está bem”.
Canon Henry Scott-Holland, 1847-1918
Canon of St Paul’s Cathedral”
